sábado, 5 de novembro de 2011

Registro do Encontro de 05/11/2011



 Registro do Encontro do dia 05/11/2011
                Primeiramente, gostaria de ressaltar aqui, enquanto Marina, que este encontro em especial me sensibilizou/tocou muito. Sobretudo, por este não ter seguido cegamente nosso planejamento, tendo adquirido, por conta das necessidades observadas, uma vida quase própria.
            Fizemos, como de costume, nossa roda do olhar. Olhares atentos, profundos e expressivos se revelam a cada dia.
            Posteriormente, seguimos para a, também costumeira, atividade da corda. Porém esta extrapolou as expectativas que geralmente nela colocamos, pois através dela, conseguimos colocar o sentido dos elementos teatrais que buscamos sempre lhes passar. Aliás, a corda é uma atividade que sempre teve por intuito, passar-lhes os elementos teatrais de uma forma que se aproxime da realidade e das vivências das próprias crianças. Mas dessa vez, conseguimos clarear-lhes o sentido disso.         
Ou seja, sendo mais narrativa, desligamos o som, e pedimos para que se concentrassem e se focassem unicamente na corda. Depois, Tatiane sugeriu que daquela vez, todos (sem exceções) tentariam, pelo menos, entrar na corda, enquanto esta estava batendo. Muitos protestaram, dizendo que não conseguiam, mas ao sermos firmes de que era importante que tentassem, todos tentaram e muitos dos que tinham dificuldades e receios frente a si mesmo, conseguiram... e o sorriso escancarado explicitou a felicidade do enfrentamento. Depois, partimos para o mesmo desafio em dupla, entrarem juntos na corda. Ressaltamos, após muitas dificuldades observadas, que assim como numa peça ou na vida, era importante que enquanto dupla, eles teriam não somente de se preocupar consigo mesmo, mas também com o outro, a realização aconteceria, se houvesse preocupação e comunicação mútua. Que o um individual deixava de fazer sentido, quando algo tivesse de ser feito em conjunto, o conjunto neste momento se tornaria uno. E realmente, eles acionaram estratégias de comunicação, também com o olhar, e estiveram atentos ao bater da corda, como numa apresentação final.
A segunda atividade exigiu uma explicação anterior, que foi ouvida com curiosidade por parte deles. Como me descrever através do meu corpo? Como não me preocupar em fazer sentido para o outro e sim para mim? Como ficar comigo mesmo? Esses foram aspectos abordados na conversa anterior. Antes de iniciá-la, pedimos para que cada um ali na roda fizesse um pequeno gesto para se representar. E depois, deixamos um grande período com cada um num canto, sem interagir com nenhum dos colegas, ficando somente consigo mesmo, se explorasse de forma a tentar descobrir o que o corpo poderia dizer sobre eles mesmos.
Por conta do grande período dispensado nesta parte da atividade, pois assim julgamos necessário, só houve rapidamente a segunda parte, que era fazerem o mesmo só que em dupla. Conversamos brevemente que agora se tratava da mesma preocupação que tiveram na corda, enquanto dupla; sem ligar para os demais também, era você e o outro, pura e simplesmente. A parte da dupla foi um pouco menos concentrada, mas ainda assim, houve interações muito significativas.
Depois, pelo adiantado da hora, não tivemos tempo de dar prosseguimento nessa atividade, nem de sugerir a próxima. Porém, o que foi feito, foi aproveitado de forma intensa. Conversamos novamente em roda, de forma breve, sobre o que sentiram ao fazer aquela atividade. Perguntas como, o que era mais fácil fazer, se sozinho ou em dupla; o que mudava, etc. foram algumas suscitadas.  Muitos disseram que o problema maior era em dupla, de não tentar atribuir significados às ações, criando “historinhas”. Na conversa, eu e a Tatiane tentamos trazer aquilo para vivências cotidianas deles mesmos, como o acordo implícito pelo olhar entre mãe e filho, quase como ação e reação, entrar no jogo, que é constantemente feito na vida da gente enquanto estamos vivendo com outras pessoas. Ressaltamos novamente esse preocupar-se consigo, conhecer-se, cuidar-se, e cuidar também das próprias relações.
Fizemos nossa roda final, todos muito sintonizados, mandando coisas boas um para os outros e assim nos despedimos, com gostinho de “queria mais”. 

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