Neste encontro estiveram presentes 16
crianças.............
O intuito deste primeiro contato era
apresentar das formas mais simples possíveis as técnicas e práticas teatrais de
maneira que entendam por eles mesmos o quanto a teatralidade/dramaticidade pode
auxiliar-lhes a tomar conhecimento de seus próprios corpos e, por conseguinte,
a suas potencialidades expressivas.
O encontro teve início as 9:35h e se
estendeu até as 11:30h.
Primeiramente julgamos necessária uma
apresentação das “educadoras” (no sentido arte-educação) Tatiane e Marina,
salientando principalmente a apresentação de Marina, que ainda não lhes era
familiar (Tatiane era coordenadora da referida escola). No próprio momento da
apresentação já houve interações por parte das crianças. Alguns se mostraram
apressados para conhecer a “finalidade” daqueles encontros; ou seja, que peça
apresentariam, quais seriam os personagens, etc. Deixando claro a maneira com a
qual se relacionam com o teatro e o que imaginam que ele seja, assim como, a
necessidade que teríamos de desconstruir essa imagem de um teatro mercadológico
e pronto, sem qualquer brecha para uma liberdade criativa da criança; essas
intervenções também nos revelaram a dificuldade de se fixarem naquele momento,
estando sempre ansiosos e ávidos para o momento futuro, sempre se projetando
naquilo que vão fazer, não no que estão fazendo. Entendemos ser preciso
práticas com as quais tenham um contato interior; o que lhes possibilitará
calma, conhecimento e domínio de si mesmo e do momento presente.
O sentimento “vergonha” também foi
levantado por duas crianças durante suas falas, uma delas cogitando a
possibilidade dos outros “rirem dela”. Foi enfatizado que a vergonha se
dissolve no ator a partir do momento em que este se torna capaz de construir
seu autoconhecimento e que isso só seria possível, conhecendo seu próprio corpo
e descobrindo do que ele é capaz; tarefa ao qual nos daríamos durante todos os
encontros.
- Na primeira vez em que fizemos a
roda e pedimos que fixassem o olhar para cada um dos colegas durante 5
segundos, tiveram a dificuldade de fixar o olhar e ficar durante um tempo,
deram ligeiras olhadas, rápidas e um pouco “envergonhadas”, á partir de então
nomeamos essa atividade como “roda do olhar”, a qual deverá nos acompanhar por
todos os encontros.
- Na dinâmica do barbante, os gestos
que representavam o que fizeram nas férias no início foram sendo repetidos, ou
seja, a criança repetia o movimento feito pelos colegas anteriores, até que
foram sendo introduzidos novos movimentos. Alguns ao invés de segurarem o
barbante, puxavam bruscamente, revelando um pouco de violência na execução da
tarefa, mas de forma geral, a atividade foi bem executada e com empolgação por
parte de outros enquanto iam vendo a “teia de aranha” sendo formada. No momento
de desfazer a teia, muitos mostraram agilidade em passar pelo meio dos fios e
em descobrir o caminho que o mesmo fez anteriormente.
- Pular corda: quase todos
participaram, respeitando a fila. Quando uns erravam não houve zombaria, o que
demonstra respeito com a dificuldade dos outros. Alguns tiveram dificuldade na
execução, sobretudo aqueles que mostraram durante boa parte do tempo falhas na
concentração, estando sempre desviando a atenção.
- Foi adicionada uma atividade que
não estava no planejamento do dia, mas que foi necessária na medida em que as
crianças mostraram energia acumulada e que precisava ser gasta antes da
execução da próxima atividade. Tatiane introduziu essa nova atividade, que
consistia em: andar na ponta dos pés, andar com a parte traseira dos pés, andar
com a lateral dos pés, já indicando os ritmos rápido/normal/lento, assim como
os planos alto/médio/baixo; também a exatidão em parar na hora que isso fosse
pedido.
-Após esse momento, retornamos a roda
e novamente pedimos para que se olhassem, desta vez, ao observarem Tatiane e
Marina se olhando, começaram a realizar essa tarefa, fixando mais os olharem e
até colocando de forma espontânea algumas expressões faciais.
-No momento da auto-massagem, alguns
não quiseram participar (o que foi respeitado, assim como em outras
atividades), entretanto a parte que participou se mostrou interessada em
observar, prestar atenção, e fazer os movimentos da maneira como era pedido;
outros que inicialmente não quiseram participar, foram entrando na atividade
aos poucos e a realizando quase inteiramente. No relaxamento, percebíamos que
muitos se dedicaram a prestar atenção nas palavras que eram ditas enquanto
estavam de olhos fechados, e movimentaram lentamente mãos/pés, braços/pernas,
quando isso foi solicitado. Importante frisar que uma criança dormiu durante
essa atividade.
-O encerramento do dia, foi o
registro das sensações num desenho, foram colocadas duas folhas de papel e
chamada duas crianças por vez, uma em cada papel fazia o desenho que queria e
que para ele representava o que estava sentindo naquele momento, houve muitos
desenhos que foram iniciados por um e completados por outros. Houve também,
mais uma vez, a ansiedade revelada de alguns ao perguntarem muitas vezes, se
iriam fazer mais um desenho depois que todos já tivessem realizado a atividade.
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