sábado, 12 de fevereiro de 2011

Registro do Encontro de 12/02/2011




Neste encontro estiveram presentes 16 crianças.............
O intuito deste primeiro contato era apresentar das formas mais simples possíveis as técnicas e práticas teatrais de maneira que entendam por eles mesmos o quanto a teatralidade/dramaticidade pode auxiliar-lhes a tomar conhecimento de seus próprios corpos e, por conseguinte, a suas potencialidades expressivas.
O encontro teve início as 9:35h e se estendeu até as 11:30h.
Primeiramente julgamos necessária uma apresentação das “educadoras” (no sentido arte-educação) Tatiane e Marina, salientando principalmente a apresentação de Marina, que ainda não lhes era familiar (Tatiane era coordenadora da referida escola). No próprio momento da apresentação já houve interações por parte das crianças. Alguns se mostraram apressados para conhecer a “finalidade” daqueles encontros; ou seja, que peça apresentariam, quais seriam os personagens, etc. Deixando claro a maneira com a qual se relacionam com o teatro e o que imaginam que ele seja, assim como, a necessidade que teríamos de desconstruir essa imagem de um teatro mercadológico e pronto, sem qualquer brecha para uma liberdade criativa da criança; essas intervenções também nos revelaram a dificuldade de se fixarem naquele momento, estando sempre ansiosos e ávidos para o momento futuro, sempre se projetando naquilo que vão fazer, não no que estão fazendo. Entendemos ser preciso práticas com as quais tenham um contato interior; o que lhes possibilitará calma, conhecimento e domínio de si mesmo e do momento presente.
O sentimento “vergonha” também foi levantado por duas crianças durante suas falas, uma delas cogitando a possibilidade dos outros “rirem dela”. Foi enfatizado que a vergonha se dissolve no ator a partir do momento em que este se torna capaz de construir seu autoconhecimento e que isso só seria possível, conhecendo seu próprio corpo e descobrindo do que ele é capaz; tarefa ao qual nos daríamos durante todos os encontros.
- Na primeira vez em que fizemos a roda e pedimos que fixassem o olhar para cada um dos colegas durante 5 segundos, tiveram a dificuldade de fixar o olhar e ficar durante um tempo, deram ligeiras olhadas, rápidas e um pouco “envergonhadas”, á partir de então nomeamos essa atividade como “roda do olhar”, a qual deverá nos acompanhar por todos os encontros.
- Na dinâmica do barbante, os gestos que representavam o que fizeram nas férias no início foram sendo repetidos, ou seja, a criança repetia o movimento feito pelos colegas anteriores, até que foram sendo introduzidos novos movimentos. Alguns ao invés de segurarem o barbante, puxavam bruscamente, revelando um pouco de violência na execução da tarefa, mas de forma geral, a atividade foi bem executada e com empolgação por parte de outros enquanto iam vendo a “teia de aranha” sendo formada. No momento de desfazer a teia, muitos mostraram agilidade em passar pelo meio dos fios e em descobrir o caminho que o mesmo fez anteriormente.
- Pular corda: quase todos participaram, respeitando a fila. Quando uns erravam não houve zombaria, o que demonstra respeito com a dificuldade dos outros. Alguns tiveram dificuldade na execução, sobretudo aqueles que mostraram durante boa parte do tempo falhas na concentração, estando sempre desviando a atenção.
- Foi adicionada uma atividade que não estava no planejamento do dia, mas que foi necessária na medida em que as crianças mostraram energia acumulada e que precisava ser gasta antes da execução da próxima atividade. Tatiane introduziu essa nova atividade, que consistia em: andar na ponta dos pés, andar com a parte traseira dos pés, andar com a lateral dos pés, já indicando os ritmos rápido/normal/lento, assim como os planos alto/médio/baixo; também a exatidão em parar na hora que isso fosse pedido.
-Após esse momento, retornamos a roda e novamente pedimos para que se olhassem, desta vez, ao observarem Tatiane e Marina se olhando, começaram a realizar essa tarefa, fixando mais os olharem e até colocando de forma espontânea algumas expressões faciais.
-No momento da auto-massagem, alguns não quiseram participar (o que foi respeitado, assim como em outras atividades), entretanto a parte que participou se mostrou interessada em observar, prestar atenção, e fazer os movimentos da maneira como era pedido; outros que inicialmente não quiseram participar, foram entrando na atividade aos poucos e a realizando quase inteiramente. No relaxamento, percebíamos que muitos se dedicaram a prestar atenção nas palavras que eram ditas enquanto estavam de olhos fechados, e movimentaram lentamente mãos/pés, braços/pernas, quando isso foi solicitado. Importante frisar que uma criança dormiu durante essa atividade.
-O encerramento do dia, foi o registro das sensações num desenho, foram colocadas duas folhas de papel e chamada duas crianças por vez, uma em cada papel fazia o desenho que queria e que para ele representava o que estava sentindo naquele momento, houve muitos desenhos que foram iniciados por um e completados por outros. Houve também, mais uma vez, a ansiedade revelada de alguns ao perguntarem muitas vezes, se iriam fazer mais um desenho depois que todos já tivessem realizado a atividade.

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