sábado, 2 de abril de 2011

Planejamento e Registro do Encontro de 02/04/2011



Planejamento



Data02/04/2011

Local: Pátio CEISA/ Área Externa

Horário de Inicio: 09:30h

Horário de Finalização: 11:30h

Responsáveis: Marina e Tatiane.



AS CRIANÇAS PRECISAM DE POUCO.



Objetivo do Encontro: Propiciar momentos de interação e autoconhecimento, para que de forma natural possamos conhecer as necessidades e expectativa dos mesmos.



Atividades:

1- 09:30 ás 10:00- Iniciaremos as atividades com um Piquenique no gramado, além dos alimentos também deixaremos alguns instrumentos musicais.

Nesse momento deixaremos as crianças se olharem, conversarem, comerem, enfim interagirem de forma natural;



2- 10h00min ás 10h15min- "Roda do Olhar- Sentados em roda”;



3- 10h15min ás 10h30min- “Pulando Corda ao ar livre"



4- 10h30min ás 10h45min – Apresentação da história  “Era mais uma vez outra vez” através da TV Castelo;



5- 10h45min ás 11h00min- “Brincando em silencio";

Nesse momento as crianças poderão desenvolver atividades, tais como utilizar o parque, correr, etc... Com uma única regra: SILÊNCIO;



6- 11:00 ás 11:15- “Explorando os outros 3 sentidos”;

Em dupla uma das crianças deverá estar com olhos vendados e ser motivado pelo outro a conhecer pelo tato, olfato e audição o espaço do CEISA. Os que guiam deverão ser alertados da responsabilidade. O silencia (palavras) deverá ser mantido. Fora a exploração dos sentidos essa atividade também propiciará a confiança entre eles.



7- 11:15 ás 11:30- “ Gesto do sentir”

Através de um gesto as crianças deverão através de um gesto expressar o que estão sentindo.



Providências

Separar a corda; OK
Solicitar e separar material para piquenique; OK
Separar Bandinha; Ok
Separar a TV Castelo; OK
Separar pano para tapar os olhos; OK
Separar o livro “Era mais uma vez outra vez”; OK
Separar Máquina Fotográfica; OK
Fazer um cartaz informando os pais que estamos na área externa da escola e que o portão só será aberto ás 11h30min ;
                                

Registro do Encontro do dia 02/04 

      Neste encontro, estiveram presentes 14 crianças. Cabe salientar aqui a presença de Ed (um amigo, que faz teatro conosco), que veio nos visitar e participou ativamente de todo o encontro. Sabemos que, como ambas as educadoras são mulheres, essa distinção entre gêneros (menina/menino) pode ser revelada numa insegurança por parte dos meninos de praticarem de certas atividades que consideram (por valores incorporados) femininas demais; portanto, estarem diante de uma figura masculina que executou todas as atividades juntamente das educadoras e das próprias crianças, seja importante para romper com essa distinção/separação.
Como consta no planejamento deste mesmo dia, as atividades foram iniciadas com um piquenique no gramado, o qual foi de grande relevância para nós pelo fato de termos um momento de conversa livre, na qual eles interagiam entre eles mesmos, e se preocupavam/se ocupavam com seus próprios assuntos. Eles se apresentaram para o Ed e alguns responderam a pergunta de Tatiane de como havia sido a semana deles. Entretanto, os assuntos que surgiram naturalmente entre eles revelavam seus interesses, suas personalidades, digamos que a conversa adquiriu a forma de cada um e do grupo como um todo. Em um determinado momento, cada um começou a dizer o bicho que queria ser e “L“ nos surpreendeu dizendo que “poderia ser todos os bichos, bastava ele escolher e querer ser”.
 



        Pela própria dinâmica que foi sendo construída no piquenique, julgamos que convinha mudar a ordem das atividades do planejamento. Continuamos, portanto, onde estávamos (no gramado) e trouxemos a TV Castelo, dizendo que iríamos contar-lhes uma história um pouco diferente. Tatiane contou a história do “Era mais uma vez outra vez” enquanto Marina ia “rodando” as cenas. Após o término da contação, a qual foi ouvida com muita atenção e interesse, foram-lhes suscitadas questões, tais quais “quem conseguiu resolver o enigma?”, “a leitora então pode interferir na história?”. Essas questões foram interessantes no que tange a possibilidade de discussão de uma leitura ativa ou passiva, a menina enquanto lia foi a única capaz de realmente terminar aquela história; portanto, nenhuma história existe se não existir um leitor criativo; e o maior componente, tanto de quem escreve, tanto de quem lê é a imaginação e capacidade de intervir em qualquer situação, sobretudo na fantasia.


Guardamos a TV Castelo e começamos a atividade da corda. Como já foi colocado em outros relatórios, essa atividade é sempre recebida com grande interesse. Porém, o que vale destacar é que desta vez tivemos o diferencial de deixar-lhes um pouco mais livres para brincarem com a corda, ou seja, não existia a contagem até 10, ou mesmo o momento de ir pular corda em dupla. Eles puderam escolher se queria ir sozinhos, se queriam ir em duplas; além do mais, enquanto um pulava eles cantaram músicas de pular corda, como por exemplo: “Suco gelado, cabelo arrepiado, qual é a letra do seu namorado(a): ....”, iam pulando até errarem; algum quiseram entrar direto, outros quiseram pular em 3 ou 4, outros pediram para as educadoras pularem junto, enfim, eles puderam intervir muito mais na construção da atividade.

Após a corda, Tatiane explicou como seria a atividade dos olhos vendados/sensações.  Eles ficaram atentos, tiveram dificuldades em ficar em silêncio (sem produzir palavras), mas perceberam e criaram uma “técnica”: quem estava de olhos vendados conseguia seguir através do som do instrumento que quem estava guiando tocava. Muitos ficaram focados no som, nos instrumentos, não ousando muito em outro sentido: o tato. Depois ouve uma conversa em roda para saber quais foram as maiores dificuldades para eles nessa atividade, e duas dificuldades foram mais ressaltadas pelas crianças: a de não conversar e a de cuidar do outro, ou seja, ficar responsável por aquele que não estava enxergando, ter a preocupação dele não se machucar, e também a produzir-lhe sensações distintas. Para nós, o fato deles se atentarem na responsabilidade de cuidar de alguém, de deixar livre (sem ficar relando), mas ao mesmo tempo ter de guiar esse alguém, condiz um pouco com nossa experiência e também um pouco da nossa dificuldade; portanto, eles experienciaram um pouco dessas questões que nos afligem nos encontros, em principal essa de estarmos orientando as atividades, mas ao mesmo tempo, esperarmos, de nós mesmas, que não barremos a possibilidade delas as criarem da forma que julgarem mais interessante.

Após essa exposição da dificuldade de ficarem em silêncio, coube bem uma próxima atividade que já estava no planejamento (não necessariamente nessa ordem com que se deu o encontro), que foi a de ficarem livres para brincarem no parque, mexerem nos instrumentos, enfim, fazer o que quiserem, com uma única condição: NÃO FALAR. Os que começaram a falar foram colocados de fora da brincadeira (e lógico que choraram não gostaram, mas depois de um tempo voltavam para a atividade e criavam um código diferenciado de comunicação. O que demonstra a aprendizagem que o limite combinado coletivamente e a cobrança do mesmo gera), pois essa era a única “regra” que teriam de seguir. Penso que, talvez, a única coisa que poderíamos ter feito diferente, foi de combinarmos antes que relaríamos no ombro de quem falasse, para que assim, nós as educadoras, também não tivéssemos que falar para este ou aquele sair, assim nos colocaríamos de certa forma, dentro da atividade, participantes e dentro da mesma “regra” que eles. Algumas crianças se detiveram aos brinquedos do parquinho, 7 crianças “coletivizaram” um brinquedo e formaram quase que uma “banda” com os instrumentos,”CY” tocou um tempo instrumento, enquanto Marina e “J” dançavam, ela começou a para de tocar e “J” ficava em estátua, logo isso se tornou uma atividade dentro de outra e o mais importante, criada por elas mesmas.

No fim do dia nos reunimos em roda, olhamos uns para os outros para nos despedirmos com o “olhar” e cada criança através de um gesto expressou o que sentiu nesse encontro e a criatividade foi muito grande, com gestos amplos (além de que o silencio já pairava com mais facilidade). Talvez, o que mais tenha ficado desse encontro, é que quando sobra espaço que não são preenchidos com atividades fixas, eles mesmos criam suas atividades; essa liberdade de construção de exercícios é de extrema relevância para não diferenciarmos/hierarquizarmos nossas opiniões das deles. Como foi posto no planejamento deste dia “as crianças precisam de pouco”, uma oportunidade, uma ideia, e todo o resto será muito bem criado e construído por eles.

 



 


























 




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